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Cerca de 200 participantes acompanharam, nos dias 8 e 9 de outubro de 2015, o ENECE 2015 – 18º Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural promovido pela ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo (SP).
Sob o tema O papel das estruturas e a viabilidade do empreendimento, o principal objetivo desta edição foi apresentar, a partir das possiblidades econômico-financeiras vigentes, soluções que viabilizem os empreendimentos, investindo sempre em projetos seguros.
A cerimônia oficial de abertura, realizada na manhã do dia 8 de outubro, contou com representantes de entidades parceiras, como Carolina Fonseca (gerente executiva do CBCA – Centro Brasileiro da Construção em Aço e do Instituto Aço Brasil), Sussumu Niyama (diretor financeiro do Sinduscon – Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo), Túlio Nogueira Bittencourt (presidente do Ibracon – Instituto Brasileiro do Concreto), José Roberto Bernasconi (presidente do Sinaenco – Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), Iria Licia Oliva Doniak (presidente executiva da ABCIC – Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) e Miriam Addor (presidente da Asbea - Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura).

O presidente da ABECE, eng. Augusto G. Pedreira de Freitas, ao dar boas-vindas aos participantes, enfatizou a importância do encontro para os engenheiros estruturais e ressaltou que dele sairão as próximas ações da entidade, principalmente para 2016.

“Inovação, tecnologia e sustentabilidade na construção civil” foi o tema da palestra de abertura do evento proferida pelo eng. Roberto de Souza, presidente do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações) e especialista em qualidade, tecnologia, gestão, sustentabilidade e inovação na construção.

Roberto falou sobre a atual conjuntura econômica e os desafios para o setor da construção com foco na redução de custos e aumento da produtividade. Destacou o conceito de inovação e suas aplicações em produtos imobiliários, processos de trabalho e modelos de negócios, assim como o conceito de sustentabilidade na construção brasileira, nos empreendimentos sustentáveis e nos modelos de certificação.

Destaque internacional

A principal atração do evento foi o engenheiro estrutural e consultor Kaare K. B. Dajhl, ex-gerente de projeto na Ramboll (Nova Delhi, India) e que, atualmente, está trabalhando na sede corporativa da empresa, em Copenhagem (Dinamarca), com grandes estruturas de concreto.

Sua apresentação, no primeiro dia do ENECE, mostrou ao público as dificuldades da obra Bella Sky, construída em Copenhagem com duas torres inclinadas de 23 andares, em estrutura pré-moldada, que estabeleceu um recorde como um dos edifícios mais inclinados do mundo.

Intitulada “Bella Sky – Levando o concreto pré-moldado ao limite”, sua palestra chamou a atenção de todos os presentes por apresentar os desafios de construir as duas torres que chegam a 76,5 m de altura com uma inclinação de 15º em direções opostas, formando um enorme “V”.

O modelo estrutural básico do empreendimento consiste de paredes pré-moldadas carregadas verticalmente, combinadas com lajes alveolares e vigas e pilares pré-fabricados. O uso de elementos pré-fabricados implicou na necessidade de transferir os esforços através das ligações entre os elementos.

A grandiosidade dos esforços resultou em altas taxas de armadura e na necessidade de reprojetar os detalhes usuais de ligação entre peças pré-moldadas.

Para apresentar detalhes sobre a ampliação do Hospital Sírio Libanês, importante centro de referência em especialidades e procedimentos médicos de alta complexidade localizado na capital paulista, foi convidado o eng. César Pereira Lopes, diretor técnico do Escritório César Pereira Lopes S/S Ltda. (empresa responsável pelo projeto).

A ampliação contemplou a construção de três novas edificações, os Blocos E, F e G, que somaram pouco mais de 72 mil m² de área total construída. São duas torres, uma com 20 pavimentos e outra com 14 pavimentos, ambas executadas sobre o hospital existente. Há, também, uma terceira torre, com 16 pavimentos, implantada em terreno ao lado do prédio em operação. O empreendimento contempla, ainda, diversas interligações, que unificam e consolidam todo o complexo.

O palestrante abordou os temas de obsolescência dos projetos e soluções arquitetônicas-funcionais e estéticas, assim como as técnicas disponíveis para reforços estruturais (escolha e possibilidades) e os limites conjunturais relacionados à ampliação.

Um bom exemplo bem sucedido de interação entre projetistas de estruturas e fundações é o Complexo Madeira, localizado em Barueri (SP). Trata-se de um empreendimento de uso misto com duas torres (uma horizontal que abriga uma unidade do Blue Tree Hotels com seis pavimentos; e outra vertical, desenvolvida para espaços corporativos e comerciais, composta por 18 andares escalonados e cada laje com 1,1 mil m2 de área privativa). O projeto compreende ainda três subsolos, um Centro de Convenções de 900 m2 e pé-direito duplo, um pavimento com áreas de lazer (lojas, cafés, restaurantes), outro com um boulevard, terraço, dois acessos de entrada e quase 760 vagas de estacionamento.

Para falar sobre os grandes empuxos desequilibrados utilizados nesta obra e a importância da interação solo-estruturas para viabilizar o empreendimento foram convidados os engenheiros Luiz Cholfe (projetista estrutural), Mario Cepollina e Eduardo do Val (ambos responsáveis pela fundação).

Todos os aspectos geotécnicos, incluindo as características desfavoráveis relativas à geotecnia, e as soluções encontradas, assim como os desafios do projeto estrutural, foram expostos pelos três especialistas que, em seguida, responderam aos questionamentos dos participantes do evento.

“Controle da resistência do concreto, estruturas existentes e a teoria da confiabilidade” foi a palestra apresentada pelo eng. Fernando Rebouças Stucchi, professor titular de Pontes e Grandes Estruturas da EPUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), responsável pela delegação brasileira na FIB (Federation Internationale du Beton) e membro votante do Comitê 318 do ACI (American Concrete Institute).

Stucchi falou sobre a segurança estrutural (o que exige e seus fatores definidores), a Teoria da Confiabilidade e as variabilidades (resistência do concreto à compressão, resistência do concreto à tração, cargas permanentes e variáveis, incertezas ligadas aos modelos de cálculo, resumo das varíáveis aleatórias e seus parâmetros), método semi probabilístico em relação às normas e a Teoria da Confiabilidade aplicada a pilares, apresentando análise de estruturas existentes ou em construção, considerando a NBR 12655.

A sexta palestra foi ministrada pelo eng. Antônio Alves Neto, professor de Estruturas em Concreto Armado da UFPE, diretor sócio da Engedata Engenharia Estrutural e autor de inúmeros projetos estruturais em concreto armado.

Ele falou sobre a influência da não conformidade do concreto na capacidade dos pilares (relação entre a redução da resistência e o acréscimo de armadura necessária na seção) e esgotamento das soluções técnicas feitas pelo projetista estrutural na tentativa de se evitar reforço.

Abordou as restrições arquitetônicas e executivas encontradas na solução quando for necessário o reforço e apresentou algumas alternativas de reforço e de substituição do concreto não-conforme por outro de melhor qualidade.

Para finalizar a programação do dia 8 de outubro, o eng. Marcelo Waimberg, sócio da EGT Engenharia e professor de cursos de especialização no programa de educação continuada – PECE da EPUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), trouxe o caso do Porto Maravilha (programa de revitalização urbana promovida pela Prefeitura do Rio de Janeiro para reestruturação de ruas, praças e avenidas na região portuária da cidade), enfatizando os túneis das vias expressas e binária.

Partindo de uma descrição geral do projeto e do método construtivo utilizado (valas e túneis em NATM) e apresentando os aspectos gerais do projeto de túneis NATM em solo e em rocha, Weimberg expôs o projeto dos túneis das vias expressa e binária (Túnel Rio-450 e Túnel Saúde).

Assuntos relevantes tratados por comitês técnicos

Os trabalhos do ENECE 2015 prosseguiram na manhã do dia 9 de outubro de 2015. O eng. Claudio Adler, sócio do Escritório Navarro Adler, abriu a programação do dia apresentando o memorial descritivo do projeto estrutural (de edifícios residenciais em concreto armado).

O documento, intitulado “Recomendação ABECE 003:2015” é uma sugestão para a elaboração de Memorial Descritivo do Projeto Estrutural de cada escritório e foi distribuído aos participantes do evento.

Em seguida, o eng. João Alberto Vendramini, diretor da entidade, diretor técnico da Vendramini Engenharia e colaborador na elaboração e revisão de diversas normas técnicas voltadas para a área de estruturas, falou sobre o estudo de ventos em galpões tendo como base a NBR 6123:1980 Forças devidas ao vento em edificações.

Os principais tópicos a serem discutidos no processo de revisão da NBR 6120 Cargas para cálculo de estruturas de edificações foram expostos na palestra do eng. Odinir Klein Junior, mestre em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo e gerente de desenvolvimento de projetos estruturais na empresa França & Associados Projetos Estruturais.

Odinir comparou as prescrições das normas americanas e europeias com a NBR 6120 e mostrou nova abordagem para consideração de cargas acidentais (cálculo com carga uniformemente distribuída e verificação para cargas concentradas, cargas em garagens) e para consideração de cargas em fase de obra, esclarecendo os itens que podem gerar dúvidas de interpretação.

Márcio Roberto Silva Corrêa, colaborador da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e professor associado da Universidade de São Paulo, proferiu palestra sobre interação solo-estrutura e interação engenheiro geotécnico-engenheiro estrutural.

Mencionando normas técnicas em que esta relação é evidenciada atribuindo funções para ambos, o palestrante apresentou propostas que estão sendo estudadas pelo Comitê Técnico de Interação Projeto de Estrutura e Fundação, constituído pela ABECE.

Para encerrar o evento, o eng. Alio Ernesto Kimura apresentou os comentários técnicos da NB-1:2014 que vêm sendo discutidos no comitê permanente de revisão desta norma que vem se reunindo periodicamente na sede da ABECE sob a coordenação da eng. Suely B. Bueno.

Entre as palestras previstas na programação do ENECE, foram apresentadas algumas ações que estão em andamento na ABECE, entre elas a ATP – Avaliação Técnica do Projeto de Estruturas de Concreto.
O eng. Valdir Silva da Cruz, um dos autores do documento “Recomendação ABECE 002:2015 – Avaliação Técnica do Projeto de Estruturas de Concreto”, expôs os principais conceitos e a importância deste instrumento para a segurança da estrutura.

“Para os contratantes, é um investimento a mais e não mais uma despesa adicional. Para os projetistas, é uma segurança adicional e não uma desconfiança na sua capacidade. Será mais uma recomendação da ABECE a fim de auxiliar a regular esse mer

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