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ABECE participa de missão técnica do Ministério dos Transportes/DNIT aos Estados Unidos

ago/26

 

Entre os dias 20 e 28 de julho de 2026, os engenheiros Marcelo Melo (Sócio da Casagrande Engenharia e professor da Escola Politécnica da UFRJ) e Davi Vitória (analista de planejamento da Tranenge Construções) participaram, como representantes da ABECE, da Missão Técnica promovida pelo Ministério dos Transportes e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) aos Estados Unidos, com foco na metodologia ABC (Accelerated Bridge Construction) e nas melhores práticas americanas de gestão, contratação e construção de Obras de Arte Especiais, como pontes, viadutos e túneis.

O objetivo institucional da iniciativa foi avaliar a adaptação da metodologia ABC à realidade brasileira e a sua incorporação ao PROARTE, com vistas a ganhos de produtividade, segurança, qualidade e durabilidade na intervenção do amplo acervo de OAEs sob gestão do DNIT.

A missão passou por três cidades (Washington, Boston e Miami), reunindo representantes do DNIT, construtoras, consultorias e academia, em uma agenda intensa de visitas técnicas, reuniões institucionais e aulas com pesquisadores de referência internacional.

Na capital americana, a comitiva foi recebida na Embaixada do Brasil, onde foram discutidas alternativas de financiamento e cooperação técnica para o programa brasileiro de recuperação de pontes, incluindo possíveis parcerias com agências americanas de fomento e um futuro Acordo de Cooperação Técnica com a Federal Highway Administration (FHWA) e os departamentos de transporte de Boston e Miami.

Os integrantes da missão visitaram a obra da Long Bridge, empreendimento ferroviário sobre o rio Potomac conduzido pela Virginia Passenger Rail Authority (VPRA), que expande a travessia de duas para quatro vias com a construção de pontes gêmeas e a substituição de trechos da estrutura existente, mantendo o tráfego ferroviário em operação durante toda a obra.

O ponto mais relevante dessa visita foi o modelo de planejamento e contratação adotado, com projeto desenvolvido em fases de maturidade (30/60/90/100%), início das obras ainda sob projeto parcial e contratos do tipo Design-Build/Progressive CM-GC, que se mostrou determinante para viabilizar um empreendimento dessa complexidade dentro do prazo.

Em Boston, o bloco de atividades começou no MIT com aulas de professores de destaque internacional e visita ao MassDOT, Departamento de Transportes de Massachusetts, que hoje trata o ABC como prática padrão desde 2008 e onde foi possível conhecer, em detalhe, experiências consolidadas de substituição acelerada de pontes usando elementos pré-moldados, transporte por SPMT, plataformas autopropelidas, e técnicas de jacking/sliding, com fechamentos programados apenas para fins de semana.

Em Miami, foram visitados a Miami Downtown Development Authority (DDA), que demonstrou experiências de planejamento urbano integrado, digitalização da gestão da cidade por meio de gêmeos digitais, caso de Coral Gables, e o uso da infraestrutura de mobilidade, como corredores de BRT e a requalificação da orla, para reconectar espaços urbanos, e o Túnel do Porto de Miami, construído com tuneladora (TBM) e aduelas pré-moldadas, operado em regime de concessão (P3) há 12 anos, com pagamento por disponibilidade e desempenho, sem cobrança de pedágio ao usuário.

Foram visitadas as salas de controle e as comportas de proteção contra enchentes, dimensionadas para eventos de tempestade com período de retorno de 500 anos, um cuidado especialmente relevante na região, sujeita a furacões recorrentes.

A missão foi encerrada na FIU (Florida International University) com os professores Atorod Azizinamini e Said Saiidi que, além de aprofundarem diferentes formas de aplicação do método ABC, abordaram tecnologias em desenvolvimento, como o UHPC, concreto de altíssimo desempenho projetado especificamente para reforço e reabilitação de estruturas, impressão 3D aplicada a elementos estruturais, robôs para inspeção de pontes, equipamentos de ensaio não destrutivo para detecção de corrosão em armaduras, e soluções em pré-moldados voltadas à resistência a ações extremas, como sismos.

Para o eng. Marcelo, a missão evidenciou que a aceleração da construção de pontes nos Estados Unidos não depende apenas de tecnologia de ponta, mas sobretudo de uma cultura institucional consolidada de planejamento, contratação por desempenho e gestão de risco, elementos que se somam aos avanços em materiais e métodos construtivos vistos no MIT, no MassDOT e na FIU.

“Todo esse conteúdo dialoga diretamente com o momento atual do PROARTE, o programa do DNIT de reestruturação da gestão das Obras de Arte Especiais no Brasil, que está sendo reformulado justamente com base em três frentes, uma plataforma de gestão com inteligência artificial, um novo modelo de contratação paramétrica com matriz de risco, e a padronização técnica e de editais. As referências trazidas dos Estados Unidos, como o ABC, o UHPC e os modelos de contratação por desempenho, servem de base concreta para esse novo ciclo, e, como representantes da ABECE, entendemos que elas têm grande potencial de contribuição para o debate técnico brasileiro sobre a modernização das Obras de Arte Especiais e para o aprimoramento das práticas de projeto e construção no setor”, concluíram os participantes.

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